Automação de redes corporativas: o pilar estratégico da infraestrutura híbrida

Nos últimos anos, o mercado brasileiro de TI vem passando por uma forte modernização, com investimentos crescentes em cloud e infraestrutura. Projeções indicam que os gastos corporativos em tecnologia no Brasil devem crescer 13,3% em 2025, bem acima da média global de 8,9%. Esse avanço é impulsionado pela adoção acelerada de ambientes híbridos: hoje, 83% dos líderes de TI no país utilizam nuvem híbrida em suas estratégias, combinando data centers on-premises e múltiplas nuvens públicas e privadas.

O desafio, porém, está na gestão dessa mistura – poucos conseguem integrá-la de forma unificada. De fato, apenas 27% das organizações no Brasil administram seus ecossistemas multicloud de maneira holística, o que gera “pontos cegos” operacionais e riscos para os dados.

Diante desse cenário complexo, a automação de redes deixou de ser opcional e tornou-se uma prioridade estratégica. Empresas já têm buscado automação de redes corporativas para ganhar agilidade e resiliência, suportando as demandas de transformação digital. As projeções confirmam essa tendência: o Gartner prevê que até o final de 2026 cerca de 30% das empresas vão automatizar mais da metade das atividades de rede, um salto expressivo em comparação com menos de 10% que faziam isso em 2023.

O desafio das redes no cenário híbrido atual

Operar em um ambiente híbrido e multicloud traz complexidades sem precedentes para as equipes de infraestrutura. Cada nuvem e data center introduzem diferentes linguagens, interfaces, políticas e serviços, tornando a gestão unificada extremamente difícil.

As empresas enfrentam um crescimento exponencial de dispositivos conectados, volumes de tráfego e requisitos de segurança, espalhados entre ambientes locais e múltiplos provedores de nuvem. Sem automação, gerenciar essa complexidade torna-se insustentável – os processos manuais simplesmente não acompanham o ritmo.

Isso resulta em configurações inconsistentes, falta de visibilidade centralizada e maior propensão a falhas humanas. Integrações mal coordenadas entre on-premises e nuvens podem gerar latência, brechas de segurança e dificuldade em aplicar políticas de forma uniforme. Em muitos casos, as equipes de TI acabam sobrecarregadas “apagando incêndios” na rede, em vez de focar em iniciativas estratégicas.

Portanto, o cenário híbrido atual escancara a necessidade de repensar a gestão de redes: é preciso reduzir a complexidade operacional e fechar as lacunas de eficiência e segurança – algo que manualmente é quase impossível de conseguir na escala atual.

Automação de redes como catalisador da transformação digital

Para superar esses desafios, a automação de redes corporativas tem se tornado o agente catalisador da transformação digital das empresas. Em um mercado onde rapidez e inovação são vitais, as organizações não podem mais esperar semanas para mudanças de configuração ou implantação de novos serviços.

Automatizar a configuração e o gerenciamento das redes acelera drasticamente a entrega de produtos digitais. Por exemplo, lançar novos serviços no mercado com agilidade exige aumentar a automação da implantação, operação e gerenciamento das redes, eliminando gargalos manuais.

Quando bem implementada, a automação em escala também diminui erros e interrupções, melhorando a resiliência operacional, ao mesmo tempo que reduz custos operacionais, otimizando o OPEX.

Ao automatizar atividades antes manuais, como provisionamento de VLANs, roteamento, políticas de segurança, etc., as empresas conseguem adaptar a infraestrutura de forma dinâmica às mudanças – algo indispensável em iniciativas de cloud, DevOps e novos modelos como edge computing. A automação de redes, portanto, funciona como um enabler da inovação: ela libera a TI para experimentar novas arquiteturas e serviços, sem ficar presa a tarefas operacionais rotineiras.

Benefícios estratégicos: agilidade, segurança e eficiência

Adotar redes definidas por software (SDN), automação de redes e orquestração traz uma série de benefícios estratégicos para o negócio – desde a redução de erros humanos até ganhos em velocidade e confiabilidade. De forma geral, uma infraestrutura automatizada consegue entregar serviços mais rapidamente, com menos falhas e maior produtividade operacional, liberando a equipe de TI de atividades repetitivas. Abaixo, destacamos três pilares de valor ao investir em automação de redes corporativas:

Agilidade: A automação torna a rede muito mais responsiva às necessidades do negócio. Por exemplo, técnicas de zero-touch provisioning permitem configurar novos dispositivos automaticamente assim que conectados, acelerando a implementação de novos serviços (ou de uma filial inteira) de semanas para minutos.

Mudanças de configuração que antes exigiam agendamento e downtime agora podem ser aplicadas via scripts ou políticas centralizadas em tempo real. Isso significa que a TI consegue acompanhar o ritmo das áreas de negócio, lançando aplicações, expansões e ajustes na infraestrutura com rapidez antes inimaginável.

Segurança: Automatizar a rede também eleva o patamar de segurança e conformidade. Com ferramentas de automação, é possível garantir que políticas de segurança, configurações de firewall e patches sejam aplicados de forma uniforme e automática em todos os dispositivos, eliminando discrepâncias que poderiam criar vulnerabilidades.

Processos manuais estão sujeitos a erros de configuração e esquecimentos – responsáveis por grande parte das falhas de segurança. Já uma abordagem automatizada verifica constantemente a consistência das regras e até executa patches de segurança de forma preventiva, mantendo todos os equipamentos atualizados contra ameaças.

Além disso, fluxos automatizados de monitoramento e resposta a incidentes detectam anomalias e podem reagir instantaneamente a ataques, reduzindo o tempo de resposta e limitando danos. Em suma, a automação diminui a chance de erro humano e garante uma postura de segurança mais sólida e padronizada em toda a rede.

Eficiência: Por fim, há ganhos claros de eficiência operacional e redução de custos. Tarefas repetitivas e demoradas (como configurar switches individualmente, aplicar updates em centenas de equipamentos ou coletar logs) passam a ser executadas por softwares e scripts de forma incansável e consistente. Isso libera a equipe de rede para focar em projetos de maior valor estratégico, em vez de consumirem tempo “apagando incêndios” cotidianos.

Com menos intervenções manuais, diminuem-se os riscos de downtime acidental – evitando prejuízos que podem chegar a milhares de dólares por minuto parado. A automação também possibilita escalar a infraestrutura sem aumento proporcional na equipe, controlando o crescimento do OPEX. Em muitos casos, consolidam-se ferramentas e processos, o que otimiza o uso de hardware (ex.: usando SDN para reduzir a necessidade de dispositivos físicos redundantes). O resultado é uma operação de rede mais enxuta, confiável e rentável, apoiando os objetivos do negócio com máxima eficiência.

Tendências atuais em automação de redes

O panorama da automação de redes corporativas continua evoluindo rapidamente, incorporando novas tecnologias e práticas. Uma das tendências de destaque é a convergência com Inteligência Artificial nas operações de TI (AIOps). Já existem soluções de automação inteligente que aplicam IA e machine learning para analisar dados da rede em tempo real, detectando padrões e respondendo de forma autônoma a problemas. Essa abordagem pode trazer ganhos impressionantes – segundo a McKinsey, empresas que adotaram automação integrada com IA registraram aumento de 35% na produtividade e redução de 20% nos custos operacionais.

Ferramentas de AIOps são capazes de prever incidentes antes que ocorram, otimizar rotas de tráfego conforme as condições mudam e até recomendar ações de melhoria de desempenho, tudo isso aprendendo continuamente com o ambiente. Com a popularização da IA generativa, espera-se que nos próximos anos a tomada de decisão automatizada fique ainda mais sofisticada, permitindo uma automação de rede preditiva e proativa em larga escala.

Outra novidade importante é tratar a rede “como código” (Network as Code). Inspirado pelos conceitos de Infraestrutura como Código (IaC), esse movimento aplica práticas DevOps ao mundo de redes. Em vez de configurações manuais em CLI, as definições de rede são escritas em código declarativo, versionadas em repositório e implantadas via pipelines automatizados.

Isso traz maior controle e repetibilidade: assim como o desenvolvimento de software, é possível fazer review de “código de rede”, testar mudanças em ambientes simulados e realizar deploy automático em produção com mínimos riscos. Conforme a IBM descreve, a IaC permite às equipes configurar e gerenciar toda a infraestrutura de rede usando código, construindo redes mais ágeis, autogerenciáveis e altamente escaláveis.

Além disso, há um esforço da indústria por soluções de automação agnósticas de fabricante, que integrem diversos fornecedores e adotem padrões abertos. Isso facilita orquestrar ambientes heterogêneos e incorporar tecnologias emergentes sem ficar preso a um único fornecedor– um aspecto muito importante, dado que a maioria das redes corporativas é multivendor – ou seja, contam com appliances e tecnologias de vários fornecedores.

A visão de futuro é que as redes terão capacidade de auto-otimização e auto recuperação, tomando decisões sozinhas para manter o desempenho e confiabilidade ideais. Já podemos ver os primeiros passos nessa direção: algoritmos de análise preditiva começam a ser usados para antecipar e prevenir falhas, ajustando parâmetros antes que um problema ocorra.

Um exemplo é o conceito de intent-based networking, onde o administrador define a “intenção” (políticas de alto nível, SLAs desejados) e o sistema automaticamente implementa e mantém a configuração ideal para atender a essas intenções, adaptando-se a mudanças de forma contínua. Ainda deve levar alguns anos para alcançarmos redes totalmente autônomas em produção, mas empresas inovadoras já estão experimentando elementos dessa autonomia.

Cenário brasileiro e próximos passos

No Brasil, a automação de redes caminha para se tornar parte integrante da estratégia de TI nas organizações. Muitas empresas nacionais já operam em ambientes híbridos e multicloud, o que torna inevitável buscar maior automação para gerenciar essa complexidade de forma eficaz. A boa notícia é que a conscientização sobre os benefícios está crescendo – discussões sobre automação de redes corporativas estão cada vez mais presentes entre CIOs e líderes de infraestrutura no país.

Porém, a jornada de adoção enfrenta alguns desafios locais. Um deles é a escassez de mão de obra especializada: faltam profissionais com habilidades em automação, programação e metodologias DevOps aplicadas à rede. Em paralelo, existe resistência cultural à mudança em algumas organizações, seja por receio de substituir processos tradicionais ou por temores de impactos em postos de trabalho.

Esses fatores podem retardar a adoção, mas não devem barrá-la. De fato, analistas apontam que, embora automação e IA sejam uma oportunidade promissora, há obstáculos como a falta de especialistas e a hesitação em adotar novas tecnologias – desafios que precisam ser superados com capacitação e mudança de mindset. Empresas que investem em treinamento de suas equipes e buscam parcerias estratégicas com provedores experientes tendem a avançar mais rápido e com segurança nessa transformação.

Em setores altamente regulamentados (financeiro, governo, saúde), a automação de redes também exige atenção a conformidade e auditorias – justamente onde ela pode ajudar, automatizando verificações e garantindo políticas consistentes.

Diante desses pontos, como os CIOs podem iniciar essa jornada de automação de redes de forma incremental e com baixo risco? Especialistas recomendam começar pequeno, obtendo “vitórias rápidas” que construam confiança no processo. Um roteiro para dar os primeiros passos inclui as seguintes etapas

Inventário e análise: avaliar detalhadamente a infraestrutura e processos atuais para identificar áreas que mais se beneficiariam da automação (por exemplo, tarefas manuais propensas a erro ou configurações muito frequentes).

Definição das ferramentas: escolher as ferramentas e plataformas adequadas às necessidades identificadas – pode-se iniciar com soluções de código aberto ou ferramentas já disponíveis (scripts, Ansible, etc.) antes de partir para plataformas mais robustas, sempre visando compatibilidade com os ambientes existentes.

Capacitação da equipe: treinar e capacitar o time de TI em novas competências (linguagens de script, uso de APIs de rede, metodologias DevOps). É importante envolver a equipe desde o início, para reduzir resistências e disseminar uma cultura de automação.

Implementação gradual: automatizar primeiramente processos críticos, porém controláveis (por exemplo, backup de configurações, provisionamento de máquinas virtuais de rede, monitoramento de certos alertas) e expandir gradualmente para outras áreas. Acompanhando de perto os resultados, ajusta-se o que for necessário e então amplia-se o escopo, garantindo uma transição suave e segura.

Seguindo esse caminho estruturado, os CIOs conseguem implantar automação de redes passo a passo, demonstrando valor rapidamente e mitigando riscos à medida que escalam a iniciativa. O importante é tratar a automação como uma evolução contínua, não um projeto pontual – cada avanço abre espaço para o próximo, rumo a uma infraestrutura cada vez mais ágil e inteligente.

Vale reforçar que a automação de redes corporativas deixou de ser tendência futurista para se tornar um diferencial competitivo presente. No contexto brasileiro de 2025, em que a modernização da TI e a adoção de nuvem estão em alta, a capacidade de gerir redes de forma automática e orquestrada pode definir quais empresas conseguirão inovar com velocidade e resiliência.

Aqueles que ainda dependem exclusivamente de configurações manuais correm o risco de ver suas operações sofrerem com lentidão, erros e vulnerabilidades – luxos que ninguém pode se permitir na economia digital atual. Portanto, o momento de começar (ou intensificar) a jornada de automação de redes é agora.

Como a sua empresa pretende dar o próximo passo em automação de redes? Para evoluir com segurança, conte com parceiros experientes e uma visão estratégica clara. A Interatell, por exemplo, dispõe de know-how em automação de infraestruturas e pode apoiar sua organização nessa jornada – desde a fase de avaliação inicial até a implementação de soluções sob medida. Entre em contato com a Interatell para descobrir como preparar a sua rede corporativa para o futuro, conquistando agilidade, segurança e eficiência em um mundo híbrido cada vez mais dinâmico.